quarta-feira, 5 de abril de 2023

O fundo do poço

 O fundo do poço é desconfortável, incômodo, mas seguro.

Não há como cair mais, não se pode levar outro tombo.

Se pode cavar mais, cutucando as feridas....

Mas e sair?


Tenho a impressão de que qualquer tentativa é também oportunidade para um novo tombo, uma nova frustração. Vale a pena?

Não sei. Ainda estou dentro.

Mas não vejo outra saída que não construir degrau a degrau. E leva tempo.


Creio que o antidepressivo é quase um guindaste, mas para te colocar de pé. Sair é com você.

O que me ocorreu mais recentemente, talvez seja o óbvio: cuidar da mente. 

É nela onde tudo começa. É nela onde tudo pode terminar, para dar lugar ao novo.


Como?

Meditação. É quase impossível para uma mente inquieta? Sim. Mas não é impossível. E na internet há centenas de meditações guiadas que podem ajudar.

Eu recomendo o canal Poetoterapia, pois cria as meditações com técnicas de hipnoterapia. Só assim consegui dormir ontem: relaxando e pausando minha cabeça pensante. 


No mais, sigo reunindo forças para iniciar minha escalada, ou simplesmente, retomar o meu tamanho, afinal, o poço não é maior que a gente, é só o que a gente sente e, como tudo na vida, também passará.


domingo, 2 de abril de 2023

Sem capacidade, nem vontades

 Domingo é o dia que posso fazer o que quiser... mas e se não quero nada? O que fazer?


Não tenho vontade de estudar, nem de escrever, nem de nada.

Não consigo ler um livro, nem lavar a louça, muito menos fazer uma comida.

Não consigo sequer assistir um filme.

E já não sou capaz de dormir ainda mais.

Tampouco aguento ficar com a ruminação de pensamentos que me acompanhou a madrugada.


Não estou triste, tampouco estou feliz.

Simplesmente me apego a esperança de que amanhã tudo isso, tanto nada, seja só uma lembrança.


terça-feira, 21 de março de 2023

Tenho medo de enlouquecer

 

 

Às vezes sinto que se aproxima a loucura da minha cabeça.

Mas lembro que estou medicada, logo, isso não deve acontecer.

 

Por outro lado, sei que preciso descer no fundo desse posso que parece não ter fim...

Porque lá encontrarei uma moedinha de luz e força para colocar no meu coração.

Mas o buraco que tem nele é tão grande...

Quantas precisarão cobrir cada fresta aberta, arrebentada?

 

Sei que preciso enfrentar, encarar meus monstros.

Sei que eles são ilusórios.

 

Mas me sinto tão sem forças.

E se eu não conseguir voltar?

 

Tenho medo, medo de não aguentar.

Medo de fraquejar.

 

Medo de enlouquecer, medo de pirar.



domingo, 19 de março de 2023

Depressão vai, depressão vem (com TAB!)

Depois de 10 anos, cá estou eu novamente, de licença médica por depressão.

Na primeira vez, passei por muitos remédios (sertralina, venlafaxina, fluxotina...), mas nada tinha resultado satisfatório, o primeiro me deu uma enxaqueca crônica, o segundo, ficava meio excessiva (eufórica) e tinha anorgasmia, o terceiro me dava um sono absurdo sem fim – isso dos que me lembro.

Diante dessa situação, o psiquiatra me receitou a amitriptilina, indicada para depressão refratária. E deu certo. 

Detalhe importante da amitriptilina é saber em quanto tempo ela vai te apagar, para mim demorava 3 horas e descobri de uma forma bizarra: no meio de um jantar em que eu não podia mais levar o garfo a boca. Parecia trêbada, mas era o efeito do remédio.

Depois de alguns meses eu fui diminuindo a quantidade (tomava 100mg por dia), e em algum momento, não lembro se não consegui a droga e decidi continuar sem, provavelmente. Não fiquei todo esse tempo sem ter depressão, mas em determinado momento, para além dela, tinha uma irritação, ansiedade, esgotamento e zumbido no ouvido muito alto.

Pesquisando sobre bipolaridade encontrei um especialista na área e decidi entrar em contato, era caro, mas decidi tentar. Gostei muito do médico e, para minha surpresa, ainda que não muita, fui diagnosticada com Transtorno Afetivo Bipolar.

Fazia muito sentido o que conversamos: meus altos e baixos, os planos incríveis, a aquisição de um sem-número de empréstimos, a disposição em alguns períodos, e a falta dela em outros, como se eu “desrotacionasse”, isto é, como se minha fita passasse a rodar mais devagar, faltando energia para concretizar as coisas. Esse é o resumo da minha vida.

Por que o primeiro médico não desconfiou disso? Talvez porque ainda não tinha feito tanta besteira na vida...

Resultado: comecei um tratamento finíssimo, caríssimo, mas que depois de uns meses deu conta de me estabilizar. Assim como, de me ajudar a segurar a onda de muita coisa no decorrer de pouco tempo. 

Carbolitium, brintelix, rexulti, lexapro e Rivotril (de modo não sistemático, excepcionalmente). É assim a configuração atual. São doses mínimas e já estou no máximo para não entrar em hipo-mania.

O lexapro comecei depois de algumas crises de ansiedade, após algumas ocorrências no trabalho, e reparei que além de deixar de ter taquicardia, as crises de enxaqueca também diminuíram muito, em quantidade e intensidade.

Meu problema é o rexulti: ele me dá muito sono. Já diminuí a dosagem, quero mesmo é parar ele. Mas me vejo tão mal, que tenho medo.

Perguntei para o atual psiquiatra porque não amitriptilina e a resposta foi: porque é como usar uma bomba para matar uma formiga.

Pensando agora, não é mais prático matar com uma bomba? É ao menos certeza. Bom, lembro que dei uma boa engordada quando usei. E dizem que os efeitos colaterais são bem graves...

Conto tudo isso porque dá uma insegurança começar a tomar o remédio que for, e às vezes o relato do outro pode nos ajudar, ainda que cada organismo seja um e, portanto, o que eu sinto não vá ser necessariamente o que você sente.

Enfim, concluindo, com a notícia de que não poderia aumentar os antidepressivos, tive que ter a força e o valor de me matricular na academia (há uma semana) e ir todos os 5 dias úteis. Aparentemente, gastei toda minha energia na academia e não prestei para mais nada nos últimos dias. Mas tenho esperança de que seja parte do processo e que logo eu possa me beneficiar hormonalmente desse investimento energético!

Não, não estou bem. Não sei quanto tempo vai levar, mas vou ficar.

Desejo que você também!


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Exaustos e correndo...

Esses dias li texto da coluna da repórter Eliane Brum no El País que me pareceu tocar fortemente no ponto do porquê chegamos aos estados que chegamos.

Este me gerou reflexões muito pertinentes, vale a leitura na integra, da qual destaco alguns trechos:

--
"
Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E, assim, perdemos só a alma. E alcançamos uma façanha inédita: ser senhor e escravo ao mesmo tempo.

Estamos exaustos e correndo. Exaustos e correndo. Exaustos e correndo. E a má notícia é que continuaremos exaustos e correndo, porque exaustos-e-correndo virou a condição humana dessa época. E já percebemos que essa condição humana um corpo humano não aguenta. O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados.

nos falta silêncios. 

Afinal, se tudo é possível, como eu não posso? O imperativo do tudo é possível é, paradoxalmente, aniquilador. Porque, obviamente, tudo não é possível. Nada mais limitante do que acreditar não ter limites. E viver como se poder poder dependesse apenas da (livre) iniciativa de cada um. E não poder poder, ter limites, portanto, fosse um fracasso pessoal.
Han sugere que a depressão é um cansaço de fazer e de poder. Só uma sociedade que acredita que tudo é possível é capaz de engendrar a lamúria depressiva de que nada é possível. “Não mais poder poder leva a uma autoacusação destrutiva e a uma autoagressão”
Há que se escutar o mal-estar – e não calá-lo. Vivê-lo num processo de interrogação, vivê-lo como movimento. Carregar os limites, sem confundir ter limites com estar paralisado. Não há potência total, não há tudo é possível, não há Yes, we can. Não ter potência total não é o mesmo que ser impotente. A ilusão da potência total é que acaba levando à impotência. Há potência em dizer não – e há potência em não fazer. Como Bartleby, o personagem de Herman Melville intuiu, “prefiro não fazer” pode ser um ato de resistência e de reconexão com a própria humanidade

“prefiro não fazer” pode ser um ato de resistência e de reconexão com a própria humanidade.

Senhor e escravo ao mesmo tempo, temos uma chance enquanto houver também um rebelde. Escutá-lo é preciso. Anestesiá-lo não é.
"
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/04/politica/1467642464_246482.html?rel=mas

Se sentir impotente é algo frequente em quem tem depressão, justamente porque acreditamos que temos que ser capazes de dar conta de tudo, então, não somos capazes de nada? Claro que não, mas quantas vezes não foi assim que nos sentimos?

A vida é complexa mesmo e aceitar nossos limites é passo primordial para viver bem consigo mesmo - atitude fundamental para sair da nossa "areia movediça".

Aliás, fazer o mínimo possível talvez pode ser uma experiencia muito mais produtiva do que buscar o máximo - e permanecer exausto. Aprendi com uma amiga que: se ninguém vai morrer, não é urgente.

No entanto... antes de recorrer a esse aprendizado, é bom verificar se não há por trás uma morte simbólica de si próprio. Se houver indício, é respirar fundo e encarar, pois isso muda o seu mundo. ;)

domingo, 18 de dezembro de 2016

Parece simples, mas...

Concluí que o fato da minha depressão ser física, não significa que seja menos grave ou real. Sinto os mesmos sintomas, em alguns momentos, parece que agravados.

Se alimentar direito, pegar leve, dormir melhor. Parece simples, mas... quando não se tem combustivel para chegar no posto de gasolina, como faz?

...

Há momentos em que sinto que de verdade vou enlouquecer. A linha tenue está a um pequenino passo, um palmo, um salto. Minha cabeça vira um turbilhão, doi, apita e grita em meio a mais pura confusão.

Pode ser que a diferença esteja no fato de que quando tratei da depressão há 4 ou 5 anos, fiquei de licença, afastada, em casa, já agora não, continuo trabalhando e continuo tendo outros compromissos, muitos inclusive tenho deixado de lado, mas ainda não sem sentir nada de culpa.

Ao menos, em meio a essa confusão, assim como na caixa de Pandora, há uma esperança, não é fácil, mas uma hora consigo encontrar algo que me ajude a acalmar o coração e, ademais, criar energia etéria suficiente para ser capaz de levantar e ir cuidar da matéria.

Com o físico equilibrado, a mente desacelera e a angústia diminui. No meu caso, por conta da anemia, é fudamental. No entanto, há dias em que essa simples atitude se transforma em um desafio enorme, gigante, que não cabe aqui dentro, ultrapassa o telhado e quase vê do outro lado!

Contudo, aprendi com meu pai que nenhum desafio é maior que minha vontade de vencê-lo.

E cá estou, também no desafio de me perdoar por continuar comentendo erros autosabotadores, mas já reagindo quando pisam no meu calo. E sigamos, que amanhã será melhor!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O veredicto

Bom, a verdade é que depois de um primeiro semestre desgastante e que me abalou a auto-estima profissional (essencial pra me sentir alguém), os 10 dias de férias foram completamente insuficientes para descansar e me revigorar, busquei mais que tudo me auto-avaliar e planejar. ...porém, faltou ter em conta o meu estado físico, psíquico e emocional.

Mas tocamos o barco, outros desafios vieram, algumas coisas que eram pra lá de previsíveis aconteceram (no profissional e pessoal), as frustrações foram se acumulando e junto com elas o esgotamento físico.

E em algum momento não fui mais capaz de segurar, segui derradeira abaixo... O que não imaginava, no entanto, é que minha depressão era física, biológica. Sim, nesses 30 dias que me propus reagir não arredei pé até conseguir um pedido de check-up, e descobri que estou doente, mas (se a médica não descobrir mais nada) não é nada grave.

Efetivamente, nunca me senti tão mal, tanto sem capacidade física, quanto, principalmente, mental. Esgotada. Quase que constantemente. Mas a notícia boa é que se conseguir me alimentar direito e tomar os suplementos, logo devo melhorar minha disposição e com isso colocar pra correr minha depressão.

Não significa que o emocional não esteja abalado, claro. Até o dia 08 ainda estava muito sensível, me sentindo destruída, mas aos poucos fui sentindo como se houvesse uma força tarefa espiritual - me senti cuidada, amada, especial - apesar de vários compromissos, no dia 10 estava bem.

Ainda vão mais uns 30 dias pelo menos pra poder me fortalecer e ter condições de vencer de fato a depressão. Mas não voltar pro antidepressivo já é uma grande esperança e alívio!

Estou sim cansada, muito cansada, mas sou muito especial, não vou desistir de mim! ;)


sábado, 10 de dezembro de 2016

Tem que acontecer

Uma música especial, especialmente pra mim:



Não fui eu nem Deus não foi você nem foi ninguém
Tudo o que se ganha nessa vida é pra perder
Tem que acontecer
Tem que ser assim
Nada permanece inalterado até o fim
Se ninguém tem culpa não se tem condenação
Se o que ficou do grande amor é solidão
Se um vai perder outro vai ganhar
É assim que eu vejo a vida e ninguém vai mudar

Eu daria tudo
Pra não ver você cansada
Pra não ver você calada
Pra não ver você chateada
Cara de desesperada
Mas não posso fazer nada
Não sou Deus nem sou Senhor

Eu daria tudo
Pra não ver você chumbada
Pra não ver você baleada
Pra não ver você arreada
A mulher abandonada
Mas não posso fazer nada
Eu sou um compositor popular

Eu daria tudo
Pra não ver você zangada
Pra não ver você cansada
Pra não ver você chateada
Cara de desesperada
Mas não posso fazer nada
Não sou Deus nem sou Senhor

Eu daria tudo
Pra não ver você chumbada
Pra não ver você baleada
Pra não ver você arreada
A mulher abandonada
Mas não posso fazer nada
Sou só um compositor popular

Sérgio Sampaio

o dia chegou

Vou vivê-lo, depois conto como foi e a que conclusões chegamos! ;)

domingo, 4 de dezembro de 2016

30 dias para vencer a depressão

Quando consegui assumir que tinha entrado em quadro depressivo, me propus 30 dias pra sair dele ou voltar pro antidepressivo (que parei há mais de um ano e o tenho como vitória).

De lá para cá, tenho procurado ser mais gentil e compreensiva comigo, me cobrando menos e acolhendo mais. Procuro descansar sempre que possível e busquei resolver questões que estavam me fazendo muito mal.

No entanto, como o trabalho ainda estava puxado, dei uma boa desandada com a alimentação, o que só agravou o quadro.

Ontem a tarde já estava morrendo de sono, mas apesar da vontade gigante de dormir, decidi resistir e ir tentar falar com a médica. Esperei até as 23h, foi cansativo, mas muito importante, pois os resultados dos exames saíram e acusaram uma anemia bastante acentuada, o que explica o esgotamento físico. Saí de lá com receita e só isso já foi uma vitória.

Dois dias menos puxados também já resultam em outro estado de espírito. Estou decidida a vencer a depressão, por mais que agora só tenha 7 dias. Estou certa de que é possível.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Dessa dor

Os dias tem sido intensos e o esgotamento físico sempre maior, por isso não tenho escrito. Mas, quero mesmo não voltar a passar por este processo, e como gosto de acreditar que compartilhar possa ajudar a outras pessoas, hoje falo dela: a dor.

Ela é algo verdadeiramente difícil de explicar, especialmente porque queremos encontrar uma causa para ela. Pode até haver, mas não ser fácil de encontrar, pode ser algo de hoje, de meses ou anos atrás. Fato é que ela existe e precisa ser respeitada.

(eu disse respeitada, não cultuada, sim? - e tratada, verdadeiramente tratada).


Duas coisas, eu diria, por hora:

1. Há dias em que ela parece física, é como se houvesse dentro do coração um machucado de não mais que meio centímetro, mas que de repente começa a latejar e essa dor parece irradiar, aumentando seu campo em umas 5x, ou seja, aqui dentro, toma cerca de 2 cm - se não é mais da metade, é quase.

Noutros dias, apesar do meu coração ser grande (supostamente, fisicamente não faço idéia), fica miudinho, miudinho.


2. Ela não tem parametros, não finda. Se parece que tem, como acima, é mais administrável, porque está aqui. Quando não, sinto mesmo que não tem fim. E quando a intensidade se encontra com o infinito, a morte só pode ser sinônimo de alívio.

É como um sonho, porque ilusão ou não, acreditamos de que após a morte não haverá mais dor. E poderemos por fim descansar, enfim, sem ela, em paz.

sábado, 19 de novembro de 2016

Um dia bom!

Hoje foi um dia especial! Simples e fundamentalmente bom - não só porque ontem foi pesado demais, mas porque decidi pegar absolutamente leve comigo, ou seja: acordar e levantar a hora que quisesse e só então decidir o que fazer, portanto, sem planejamento para seguir - e sem cobranças!!

É realmente impressionante como foi bom, como fiquei bem! Recomendo muito!
Até senti vontade de arrumar algumas coisas, assim como, doei algumas e ganhei outras... :)

Ah, a outra coisa que certamente ajudou foi finalmente ter entendido que para amar, preciso me amar mais - ou vou sofrer demais!

Foi importante e libertador conseguir reconhecer que não tinha condições de cuidar ou doar qualquer gota de energia e portanto recusar algo que mesmo sabendo que me faria bem, também poderia me deixar mais esgotada. Consegui me amar primeiro, e estou de parabéns! rsrs...

Pode parecer algo óbvio, mas somente nessa situação extrema foi que consegui realmente entender o que tanto escuto me recomendarem: me amar mais, me ajudar antes de querer ajudar os demais.

Na verdade, na teoria é óbvio, mas perder o hábito de me preocupar com o outro primeiro é um desafio enorme, a diferença é que com o modelo e compreensão prática, pode ser que deixe de ser ou parecer tanto quanto foi até ontem.

Retomar contato com pessoas que gosto também foi muito bom. Tudo tem seus dois lados e, o que inicialmente doeu porque parecia não ter a quem recorrer (devido a necessidade de acompanhamento para os exames), depois teve o efeito oposto, pois consegui perceber que conheço muita gente linda que se pudesse estaria lá do meu lado.

Ontem me senti mais amada e hoje me amei e respeitei mais. E foi um grande passo neste processo!
Sou grata!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Bateria de Exames

Mais um dia com motivos pra comemorar, mas de novo tudo que quero é encontrar minha cama! E justo hoje que é dia de sair pra dançar... bom, ao menos tenho motivo pra não ter energia. Fiz a besteira de marcar uma bateria de exames para hoje, dia em que tinha compromisso de trabalho inadiáveis. O que aconteceu? Foi toda a energia e toda a reserva, sobrou nada!

Como alertei a médica de que a depressão estava voltando, me pediu tudo e um pouco mais. Por conta do cansaço e esgotamento físico fui obrigada a fazer uma "curva glicêmica" e ficar mais de 15 horas sem comer! E sem ter dormido direito... eles [cansaço e esgotamento] agora parecem estar elevados a décima potência! Certeza que amanhã vou achar que estou bem, comparado a hoje... rs

Foi bem mais pesado do que parecia na teoria, mas também porque não me preveni de marcar para um dia menos conturbado e porque até a última hora não ter certo quem poderia me acompanhar me desgastou um tanto. Logo... fica a dica: marcar exames para um dia tranquilo, sem risco de ficar ainda pior de bobeira! ;)

Dia primeiro ficam prontos os exames, mas confesso que espero mais o dia 10! Porque será? rs... Sonhando em voltar pro antidepressivo porque sinto como se minha cabeça por dentro fosse um aglomerado de cacos de vidro, sabe? Talvez o rivotril volte a usar, porque preciso demais relaxar - já tomei remédio para a enxaqueca, aliviou, mas não resolveu - e ao menos hoje não quero dormir com dor. É isso.

E amanhã será melhor! - porque vou aprender a ser mais amigável comigo!
...ao menos de bom humor estou. :)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

E fico quase feliz

No dia 10 de novembro tive uma surpresa boa, ganhar um simples almoço geralmente é algo que me deixa feliz, alegre e contente - adoro ser presenteada, são dádivas! Pense então numa situação em que ter que cozinhar a própria comida é o maior desafio que você não queria ter e, então, como num passe de mágica, você ganha 10 refeições em um dos poucos restaurantes em que pode comer. Eu ficaria radiante no mínimo a tarde toda, mas os sentimentos que estou sendo capaz de encontrar são: satisfação, gratidão e emoção.

No dia seguinte recebi uma notícia sobre algo que desejava há anos, que vinha desde o final do ano passado me movimentando para conseguir e finalmente está feito, autoriado e deviamente assinado! Aí sim, eu quase fiquei feliz! Contei para minha amiga dizendo que estava muito feliz, mas senti que não era verdade. Fiquei contente e aliviada.

Dado estes dois fatos, não há o que argumentar. É uma quase felicidade - porque ela voltou e nada me deixa verdadeiramente feliz, não porque não me alegre ou não ache bom, mas porque não atinjo algo que antes com muita facilidade acessava e me tomava.

Mas está aí uma boa forma de identificar se há depressão ou não. Ficar triste é normal e até importante, tem sua função. Ficar apático não. E sim, reconhecer e aceitar é o primeiro passo para poder enfrentar e mudar.

E quanto mais se protela, mais difícil fica se tratar, o que não significa necessáriamente começar a tomar antidepressivo, mas ao menos criar um plano com um conjunto de atitudes que podem ajudar a sair dela. Eu me propus 30 dias para vencer esse hound, se dia 10 de dezembro ainda não estiver bem, volto para o anti-depressivo também. Mas sempre há o que se possa fazer a mais, o que nem sempre se encontra é força para tanto, por isso às vezes há necessidade do medicamento sim, mas como empurrão, não como solução.

Ontem quando peguei o tal papel a senhora que me entregou disse: "muita gente tenta e não consegue, se você conseguiu é porque é forte". Quis introgetar em mim aquelas palavras, que no momento parecem tão distantes. Devia querer sair pra comemorar, mas tudo que realmente queria era vir pra casa dormir - precisava, e foi o que fiz!

Sim, é realmente patológico, mas tem cura! - e vou reverter esse quadro.


Como flor

Na semana passada o vendaval derrubou minha jardineirinha, acordei e minhas flores estavam no chão. Algumas bem machucadas, outras nem tanto, o botão de rosa sobreviveu e dali dois dias abriu.

Lembrei de uma conversa com um cabloco que me falava sobre a importancia de saber admirar a flor mesmo depois do vendaval.

Na verdade, me senti como elas. Com frequência penso que será tudo lindo e "tomo um tombo", quebro a cara, me decepciono. E é essa coleção de frustrações que torna o ambiente propício para a depressão se reinstalar, confortavelmente.

Dali uns dias estava eu admirando as flores de novo e decidi tirar uma foto e compartilhar e tanta gente gostou! Ninguém nem imagina do acidente que havaim sofrido havia poucos dias... também porque não pararam para olhar de perto, viram apelas o conjunto. E porque elas não estão pensando nele até agora... rs

É... vou me esforçar para que o conjunto não revele o tamanho do meu desânimo, ainda que pareça impossível disfarça-lo. E tentarei relaxa, respirar, aceitar e ser como flor! :)



Ao ver a garoa caindo nas flores, as sensações que me vinham pareciam contraditórias, mas complementares:

"chove dentro de mim, cobre todo o jardim, flores e um bem-te-vi"
...
"onde há amor, há flor, e onde há flor, há alimento pra alma".

<3

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

ritmo suicída

esses dias quis me inspirar em um amigo que me alertou que tem um "ritmo suicída" - o assunto foi parar no psicólogo e foi muito importante, pois vivo querendo me impor um ritmo mais puxado.

no entanto, depois de provocada na análise, refleti que não, que deveria fazer o inverso e procurar garantir mais espaços/momentos de vida fora do trabalho.

só não imaginava que seria tão difícil - e não no sentido de poder sair, mas pelo transtorno interno que me causa de saber que não está tudo como eu gostaria porque decidi me priorizar uma vez na vida.

hoje ao chegar em casa esgotada, me perguntei o seguinte: que sentido faz manter um ritmo suicída, se aniquilar aos poucos e ainda por cima abrir mão do prazer de realizar o desejo de terminar com a própria vida - e toda a dor - de uma ve por todas!?

hoje esse desejo veio com uma força que há tempo não vinha, mas meu senso de responsabilidade sequer me permite tomar duas gotas de rivotril pra não correr o risco de perder a hora, quem dirá, neste momento, tomar uma atitude mais drástica e definitiva assim!

enfim, sei que pode parecer necessário retomar o antidepressivo, mas sinto que tenho que segurar esse maremoto dentro de mim, pois por mais difícil que seja, é preciso mexer pra poder mudar, apesar desse chacoalhar, tudo isso vai me conduzir e ajudar a crescer e transformar.

mas hoje chove lá fora e amanhã... minhas flores estarão lindas e já será um outro dia!
boa noite, dorme bem...


vencer a depressão

Esses tempos encontrei um amigo que ao ouvir meu relato das mil coisas que pretendia fazer em um final de semana, me perguntou quase que afirmando:

"Nossa, você venceu mesmo a depressão, né?"

Respirei fundo e não me atrevi a cantar vitória.

A questão é que a depressão se administra, controla, vigia. Ela me parece que sempre está ali, a espreita, se você vacilar, fraquejar, ela estará pronta pra se acomodar e te abraçar. Mas no lugar de aconchego, você sente frio.

E estava há tempos pretendendo retomar este blog, pensando que de alguma forma poderia ajudar aos outros escrevendo sobre ela, depois de "ter saído dela".

Mas a verdade é que hoje sinto frio, muito. E antes de querer ajudar aos outros, preciso aprender a me ajudar. E jargão ou não: ninguém pode me ajudar, a não ser eu mesma.

Logo, ao que tudo indica, nos veremos mais por aqui. E como gosto de escrever, apesar dessa dor inconveniente, também será um prazer. ;)


quinta-feira, 27 de março de 2014

Quem mais?

hoje foi um desses dias que parece que está tudo bem, até eu chegar no consultório e começar a chorar, deixando transbordar o desespero disfarçado de qualquer coisa que te deixa sem expressão, que se disfarça em uma conversa sobre qualquer coisa que já se saiba.

desesperada, querendo estabelecer metas para sair da areia movediça... com medo de dar tudo errado, mesmo com uma estatística invejavel de que "no final das contas, acaba dando tudo surpreendentemente certo" (!). e às vezes o "milágrimas se dá" antes mesmo de chegar a mil, o milagre que já estava ali se faz perceber, assim sem explicação lógica - ao menos não uma que não resultasse em uma tese de doutorado.

e vez ou outra me pego pensando em algum diálogo com meu psicólogo... e no quanto é certeiro em suas perguntas e comentários. chego a ficar deslumbranda! mas porque é simplesmente perfeito! é como um jogo de sinuca em que você pode colocar a bola em qualquer lado que o sujeito encaçapa, sabe?

é incrível a dosagem perfeita que consegue entre a compreensão, o acolhimento e a firmeza, com bom humor e uma pitadinha de sarcasmo! e tudo parece mais claro ou menos nebuloso, às vezes chegando a parecer absurdo de tão óbvio.

preciso escrever mais sobre esses diálogos, são cinco anos e, apesar de às vezes ter a impressão de que me repito nos erros, não sinto que ele se repita, pelo contrário, sempre me engrandece a visão! e me apareceu essa música hoje, que nunca tinha ouvido. a pergunta depois de ouvir, só podia ser: quem mais?



"Eu bebia da vida em goles pequenos
Tropeçava no riso abraçava venenos
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala nem a falha no muro
E alguém me gritava com voz de profeta
Que o caminho se faz entre o alvo e a seta

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
Quem me diz onde é a estrada
Quem me leva os meus fantasmas
Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
E me diz onde é a estrada"

(Pedro Abrunhosa interpretado por Maria Bethânia)

Sem dúvida é ele que me leva os fantasmas e muito mais! Imensa e Plena Gratidão - sempre! <3

sexta-feira, 14 de março de 2014

E o remédio acabou - que desespero!

Da última vez que fiquei sem remédio, por dois dias, passei quase uma semana chorando. Chorei tudo que não havia chorado no ano! Dizia ao meu psicólogo que eu tinha tudo para estar feliz e não sabia por que não estava.

Conversando com meu psiquiatra, disse a ele que foi bom para eu descobrir porque não posso parar o remédio (o que eu sempre quis!), mas ele afirmou que eu não ficaria daquele jeito, foi só porque baixei de 100mg para zero, muito rápido.

Decidi que sempre teria uma cartela de reserva, mas adivinhem? Vi que estava para acabar, mas sem ter a menor situação financeira de pagar uma consulta este mês (por mais que agora sejam só de 3 em 3), ontem finalmente tomei coragem e escrevi para ele perguntando se poderia deixar uma receita – podia conseguir com minha médica, mas achei que cabia ser sincera, afinal, já é um relacionamento de mais de dois anos!

Ele não respondeu ontem. Fiquei insegura, com receio de ter abusado. E empurrei por mais um dia. Hoje ele respondeu que “Ok, sem problemas” – que alívio!

Mas me enrolei no trabalho e resolvi ir só de noite quando o transito já houvesse baixado. Cheguei pouco antes das 21h, a receita não estava lá, mas ele estava terminando de atender. Que alívio! E ele sempre gentil, tranquilo, educado...

Só que segui aflita porque estava com o coração apertado, me perguntando por que as coisas não dão certo e não dava mais tempo de pegar o remédio no posto de saúde gratuitamente. Por mais que ele tenha dito que podia tomar só no dia seguinte, como já estava há uns três dias tomando apenas 3 comprimidos, resolvi comprar de uma vez, mesmo sem estar podendo.

Ainda assim, a dor e o incômodo não passaram. Passei na padaria e comprei um pedaço de bolo! Tem horas que um doce é tudo! Ajudou muito, mas só fui melhorar quando minha requisitada a acolher uma senhorinha de 92 anos, moradora no nono andar de um prédio que estava sem energia. Definitivamente, me sinto muito melhor sendo útil e tendo a quem cuidar!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

agradeço da medida na dor

agradeço, sim sinhô
de me indicar, sinalizar
e vez ou outra empurrar
mesmo que seja pela dor
que eu sei que é só pavor
deu não enxergar
e de novo me desaprumar.

agradeço da medida na dor
que faz desanimar, mas não desabilitar
que faz temer, mas não se arrepender
que faz turvar, mas jamais cegar.

que faz um alvoroço silencioso
que faz parar a respiração
mas não o coração.

que me obriga a revirar, resguardar e recuperar
recuperar, renascer e reviver.

sempre mais, mesmo sem-querer.
sempre em frente, mesmo sem saber.

agradeço, sim sinhô
de não desistir
de me fazer entender
sem me fazer desistir.