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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Como flor

Na semana passada o vendaval derrubou minha jardineirinha, acordei e minhas flores estavam no chão. Algumas bem machucadas, outras nem tanto, o botão de rosa sobreviveu e dali dois dias abriu.

Lembrei de uma conversa com um cabloco que me falava sobre a importancia de saber admirar a flor mesmo depois do vendaval.

Na verdade, me senti como elas. Com frequência penso que será tudo lindo e "tomo um tombo", quebro a cara, me decepciono. E é essa coleção de frustrações que torna o ambiente propício para a depressão se reinstalar, confortavelmente.

Dali uns dias estava eu admirando as flores de novo e decidi tirar uma foto e compartilhar e tanta gente gostou! Ninguém nem imagina do acidente que havaim sofrido havia poucos dias... também porque não pararam para olhar de perto, viram apelas o conjunto. E porque elas não estão pensando nele até agora... rs

É... vou me esforçar para que o conjunto não revele o tamanho do meu desânimo, ainda que pareça impossível disfarça-lo. E tentarei relaxa, respirar, aceitar e ser como flor! :)



Ao ver a garoa caindo nas flores, as sensações que me vinham pareciam contraditórias, mas complementares:

"chove dentro de mim, cobre todo o jardim, flores e um bem-te-vi"
...
"onde há amor, há flor, e onde há flor, há alimento pra alma".

<3

quarta-feira, 12 de junho de 2013

É de graça!

Se nem eu me entendo, se nem eu me aguento, como posso querer que os outros me aguentem? Chega fico com dó da minha mãe que arranjou uma boa desculpa para passar uns dias comigo. Não sei, não sei o que acontece comigo. O mau humor aqui é de graça mesmo.

Por um lado, decidir voltar a trabalhar é tudo que eu precisava, por outro lado, de repente me vejo tendo que resolver tudo que deixei para depois por um ano e meio, em uma semana e meia. Estou me esforçando, mas tem umas coisas que não tem explicação!

Por exemplo? Resolvi aproveitar o mau humor para cancelar a assinatura de três revistas que eu sequer abro, mas depois de um ano protelando, literalmente pagando para não ter que brigar, fui capaz de ligar para a editora Abril para cancelar as revistas da editora Globo (!!!)!

Pelo menos consegui organizar os relatórios e receitas médicas dos últimos meses. Mas mudei o horário da aula de dança, por conta da terapia, e depois o horário da terapia por conta da perícia que... na verdade, era de manhã e não de tarde! E a esperança de ter sobrevivido à última perícia foi adiada para sexta.

Ao menos, me dei conta do equivoco antes de sair, mas fui remarcar hoje porque supostamente tinha ficado de ver uma AP com uma amiga. Efetivamente? Ela disse ter marcado para amanhã, mas também não tinha certeza.

Aproveitei a viagem para tentar falar com duas pessoas que gosto demais, mas uma, depois de uma hora de espera, decidi ver outro dia, a outra, ao menos respondeu a mensagem dizendo que hoje não podia. 

Por sorte consegui falar com quem não pretendia, mas não foi suficiente para vencer o mau humor somado ao mal estar gerado por um ônibus lotado em dia de chuva na cidade de São Paulo.

São “N” boas possibilidades: de futuras casas, futuros trabalhos, futuros namoros, talvez, mas nada, nadinha, se concretiza. É muita frustração para pouco tamanho, sabe? O que querem me dizer? Sou eu que faço tudo errado sempre? Tento lidar bem com as incertezas, mas às vezes são tantas!

Sinto que tento me manter surfando entre essas ondas, mas são tantas! Queria tanto poder descansar... Dizem que depois da tempestade vem a calmaria, mas, algo me diz que a tempestade mal começou.

Aliás, a chuva voltou, e não sei porque, mas me alivia... ´: j

sábado, 4 de maio de 2013

De noite e de dia, chovia.


Chovia muito, parou um pouco, abriu o tempo, o sol sorriu, brilhou forte, e a água evaporou. Veio uma nuvem negra que foi giganteando, e a tempestade caiu. Choveu tanto, tanto! Mas logo a chuva se foi. Só ficou a ressaca: as coisas que o vento fez subir aos céus não sabiam para onde voltar. Voavam feito fossem pássaros, enquanto os pássaros sem suas escassas árvores, cobriam os telhados. Não sabia se tudo era de fato maior que não cabia de onde vinha, ou se tudo era realmente tão pequeno que não se podia decidir qual buraco, entre tantos, tampar. Por isso, as coisas ficaram no ar. Aos poucos foram se acomodando e reencontrando, mas nada voltaria a ser como era. A tempestade passada, ficou a melancolia – que fez par com a esperança. Esperamos. Nuns dias ventava, noutros chovia, em alguns dias o sol abria. Mas logo, de novo, chovia, e chovia, e chovia. Uma chuva dessas de dia de finados, que por vários dias vai se prolongando, prolongando... e não finda nunca. Chuva boa para ficar deitado ouvindo o barulho da chuva, curtindo o amor das cobertas e da possessiva cama... Sei que não devia, mas não era capaz de manter o controle e logo me entregava novamente a esse amor doentio. Os sonhos eram mais agitados que a vida real, talvez também por isso, dormia mais do que ficava acordada, mas... mas é que chovia. Sei que não devia, mas, mesmo quando não chovia, o sono era absolutamente real. Real. Se pudesse escolher, optaria por los dolores de la vida, pelo peso da vida, ou pela vida real? Hã? Não sei. Só sei que chovia. E gosto, gosto muito da chuva, mesmo que seja chuvisco, garoa, sereno. Resolvi então levantar e chegar mais perto. Não resisti: abri os braços, olhei para cima, fechei os olhos, senti a chuva que me lavava a alma, numa mistura de dor, alívio e prazer. Mas, quando olhei para baixo, vi que o que corria ladeira abaixo não era água, era leite. O leite, aquele que alimenta, derramado, se esvaia. Eu olhava, não acreditava. Doía, mas eu sorria. Não o beberia, mas ao menos, agora acordada, banhada de leite, ou, ao leite, seguiria.