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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Do porquê dormimos tanto


Como uma pessoa pode passar mais tempo dormindo que acordada? É realmente difícil de entender, mas tento explicar.

Não se trata de não ter mais o que fazer, pois quando não há vontade de se fazer nada, o primeiro que se deixa para depois, são as coisas não obrigatórias, que só dependem de nós e só nós seremos afetados. Por exemplo? Pagar por uma assinatura cara que não tem sentido nem vantagem, mas que o cancelamento sempre fica para depois porque não há disposição para esse desgaste extra.

Já não durmo tanto, mas cheguei a dormir 16 horas por dia há alguns meses. Os motivos do sono, elencaria da seguinte forma:

1 - De fato nos sentimos cansados. Dormimos para descansar, mas é um cansaço que parece não acabar nunca!

2 - Tentamos a sorte. A tristeza e alegria (ou pequeno pico de disposição e otimismo), não tem nada que ver com a razão. Às vezes temos motivos para ficar felizes e seguimos tristes. Noutras temos motivo de sobra para ficar tristes, mas damos risada. E como isso é imprevisível, acontece de acordarmos muito bem ou muito mal - sem a menos explicação! Daí, mesmo sem saber, tentamos a sorte: dormimos de novo, para quem sabe, dentro de algumas horas, acontecer esse mistério de despertar conosco uma vontade, qualquer que seja.

3 - Os remédios. Alguns antidepressivos tem como efeito colateral o sono excessivo. Não deveria acontecer, mas acontece. Com uns mais e com outros menos, mas com os ansiolíticos, sempre. E tomamos eles para contra-balançar no caso do antidepressivo gerar uma eletricidade incompatível com nosso estado (o que gera um imenso mal estar), ou quando qualquer outra coisa nos deixa em um grau de ansiedade difícil de controlar.

Comigo, outro fator que não sei se é comum às demais pessoas, é acordar cansada pelo estresse gerado pelos sonhos - quase sempre desgastantes e envolvendo tensão, conflito, revolta pela impotência e até perigo. Mas ao menos, quando lembro o que acontecia no sonho, fica mais fácil entender o porquê de determinado humor e agir para combatê-lo se não for bom.

Hoje acordei um pouco triste, meio desacorçoada, não sei se pelo que sonhava, pelo acordar tarde com tantas coisas para fazer, ou pelo quê; mas não acho justificativa para meu estado. Só é o que é. E adivinhem? Quero aproveitar o frio para voltar a dormir e ver se acordo melhor!

sábado, 4 de maio de 2013

De noite e de dia, chovia.


Chovia muito, parou um pouco, abriu o tempo, o sol sorriu, brilhou forte, e a água evaporou. Veio uma nuvem negra que foi giganteando, e a tempestade caiu. Choveu tanto, tanto! Mas logo a chuva se foi. Só ficou a ressaca: as coisas que o vento fez subir aos céus não sabiam para onde voltar. Voavam feito fossem pássaros, enquanto os pássaros sem suas escassas árvores, cobriam os telhados. Não sabia se tudo era de fato maior que não cabia de onde vinha, ou se tudo era realmente tão pequeno que não se podia decidir qual buraco, entre tantos, tampar. Por isso, as coisas ficaram no ar. Aos poucos foram se acomodando e reencontrando, mas nada voltaria a ser como era. A tempestade passada, ficou a melancolia – que fez par com a esperança. Esperamos. Nuns dias ventava, noutros chovia, em alguns dias o sol abria. Mas logo, de novo, chovia, e chovia, e chovia. Uma chuva dessas de dia de finados, que por vários dias vai se prolongando, prolongando... e não finda nunca. Chuva boa para ficar deitado ouvindo o barulho da chuva, curtindo o amor das cobertas e da possessiva cama... Sei que não devia, mas não era capaz de manter o controle e logo me entregava novamente a esse amor doentio. Os sonhos eram mais agitados que a vida real, talvez também por isso, dormia mais do que ficava acordada, mas... mas é que chovia. Sei que não devia, mas, mesmo quando não chovia, o sono era absolutamente real. Real. Se pudesse escolher, optaria por los dolores de la vida, pelo peso da vida, ou pela vida real? Hã? Não sei. Só sei que chovia. E gosto, gosto muito da chuva, mesmo que seja chuvisco, garoa, sereno. Resolvi então levantar e chegar mais perto. Não resisti: abri os braços, olhei para cima, fechei os olhos, senti a chuva que me lavava a alma, numa mistura de dor, alívio e prazer. Mas, quando olhei para baixo, vi que o que corria ladeira abaixo não era água, era leite. O leite, aquele que alimenta, derramado, se esvaia. Eu olhava, não acreditava. Doía, mas eu sorria. Não o beberia, mas ao menos, agora acordada, banhada de leite, ou, ao leite, seguiria.