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domingo, 19 de março de 2023

Depressão vai, depressão vem (com TAB!)

Depois de 10 anos, cá estou eu novamente, de licença médica por depressão.

Na primeira vez, passei por muitos remédios (sertralina, venlafaxina, fluxotina...), mas nada tinha resultado satisfatório, o primeiro me deu uma enxaqueca crônica, o segundo, ficava meio excessiva (eufórica) e tinha anorgasmia, o terceiro me dava um sono absurdo sem fim – isso dos que me lembro.

Diante dessa situação, o psiquiatra me receitou a amitriptilina, indicada para depressão refratária. E deu certo. 

Detalhe importante da amitriptilina é saber em quanto tempo ela vai te apagar, para mim demorava 3 horas e descobri de uma forma bizarra: no meio de um jantar em que eu não podia mais levar o garfo a boca. Parecia trêbada, mas era o efeito do remédio.

Depois de alguns meses eu fui diminuindo a quantidade (tomava 100mg por dia), e em algum momento, não lembro se não consegui a droga e decidi continuar sem, provavelmente. Não fiquei todo esse tempo sem ter depressão, mas em determinado momento, para além dela, tinha uma irritação, ansiedade, esgotamento e zumbido no ouvido muito alto.

Pesquisando sobre bipolaridade encontrei um especialista na área e decidi entrar em contato, era caro, mas decidi tentar. Gostei muito do médico e, para minha surpresa, ainda que não muita, fui diagnosticada com Transtorno Afetivo Bipolar.

Fazia muito sentido o que conversamos: meus altos e baixos, os planos incríveis, a aquisição de um sem-número de empréstimos, a disposição em alguns períodos, e a falta dela em outros, como se eu “desrotacionasse”, isto é, como se minha fita passasse a rodar mais devagar, faltando energia para concretizar as coisas. Esse é o resumo da minha vida.

Por que o primeiro médico não desconfiou disso? Talvez porque ainda não tinha feito tanta besteira na vida...

Resultado: comecei um tratamento finíssimo, caríssimo, mas que depois de uns meses deu conta de me estabilizar. Assim como, de me ajudar a segurar a onda de muita coisa no decorrer de pouco tempo. 

Carbolitium, brintelix, rexulti, lexapro e Rivotril (de modo não sistemático, excepcionalmente). É assim a configuração atual. São doses mínimas e já estou no máximo para não entrar em hipo-mania.

O lexapro comecei depois de algumas crises de ansiedade, após algumas ocorrências no trabalho, e reparei que além de deixar de ter taquicardia, as crises de enxaqueca também diminuíram muito, em quantidade e intensidade.

Meu problema é o rexulti: ele me dá muito sono. Já diminuí a dosagem, quero mesmo é parar ele. Mas me vejo tão mal, que tenho medo.

Perguntei para o atual psiquiatra porque não amitriptilina e a resposta foi: porque é como usar uma bomba para matar uma formiga.

Pensando agora, não é mais prático matar com uma bomba? É ao menos certeza. Bom, lembro que dei uma boa engordada quando usei. E dizem que os efeitos colaterais são bem graves...

Conto tudo isso porque dá uma insegurança começar a tomar o remédio que for, e às vezes o relato do outro pode nos ajudar, ainda que cada organismo seja um e, portanto, o que eu sinto não vá ser necessariamente o que você sente.

Enfim, concluindo, com a notícia de que não poderia aumentar os antidepressivos, tive que ter a força e o valor de me matricular na academia (há uma semana) e ir todos os 5 dias úteis. Aparentemente, gastei toda minha energia na academia e não prestei para mais nada nos últimos dias. Mas tenho esperança de que seja parte do processo e que logo eu possa me beneficiar hormonalmente desse investimento energético!

Não, não estou bem. Não sei quanto tempo vai levar, mas vou ficar.

Desejo que você também!


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O veredicto

Bom, a verdade é que depois de um primeiro semestre desgastante e que me abalou a auto-estima profissional (essencial pra me sentir alguém), os 10 dias de férias foram completamente insuficientes para descansar e me revigorar, busquei mais que tudo me auto-avaliar e planejar. ...porém, faltou ter em conta o meu estado físico, psíquico e emocional.

Mas tocamos o barco, outros desafios vieram, algumas coisas que eram pra lá de previsíveis aconteceram (no profissional e pessoal), as frustrações foram se acumulando e junto com elas o esgotamento físico.

E em algum momento não fui mais capaz de segurar, segui derradeira abaixo... O que não imaginava, no entanto, é que minha depressão era física, biológica. Sim, nesses 30 dias que me propus reagir não arredei pé até conseguir um pedido de check-up, e descobri que estou doente, mas (se a médica não descobrir mais nada) não é nada grave.

Efetivamente, nunca me senti tão mal, tanto sem capacidade física, quanto, principalmente, mental. Esgotada. Quase que constantemente. Mas a notícia boa é que se conseguir me alimentar direito e tomar os suplementos, logo devo melhorar minha disposição e com isso colocar pra correr minha depressão.

Não significa que o emocional não esteja abalado, claro. Até o dia 08 ainda estava muito sensível, me sentindo destruída, mas aos poucos fui sentindo como se houvesse uma força tarefa espiritual - me senti cuidada, amada, especial - apesar de vários compromissos, no dia 10 estava bem.

Ainda vão mais uns 30 dias pelo menos pra poder me fortalecer e ter condições de vencer de fato a depressão. Mas não voltar pro antidepressivo já é uma grande esperança e alívio!

Estou sim cansada, muito cansada, mas sou muito especial, não vou desistir de mim! ;)


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Dessa dor

Os dias tem sido intensos e o esgotamento físico sempre maior, por isso não tenho escrito. Mas, quero mesmo não voltar a passar por este processo, e como gosto de acreditar que compartilhar possa ajudar a outras pessoas, hoje falo dela: a dor.

Ela é algo verdadeiramente difícil de explicar, especialmente porque queremos encontrar uma causa para ela. Pode até haver, mas não ser fácil de encontrar, pode ser algo de hoje, de meses ou anos atrás. Fato é que ela existe e precisa ser respeitada.

(eu disse respeitada, não cultuada, sim? - e tratada, verdadeiramente tratada).


Duas coisas, eu diria, por hora:

1. Há dias em que ela parece física, é como se houvesse dentro do coração um machucado de não mais que meio centímetro, mas que de repente começa a latejar e essa dor parece irradiar, aumentando seu campo em umas 5x, ou seja, aqui dentro, toma cerca de 2 cm - se não é mais da metade, é quase.

Noutros dias, apesar do meu coração ser grande (supostamente, fisicamente não faço idéia), fica miudinho, miudinho.


2. Ela não tem parametros, não finda. Se parece que tem, como acima, é mais administrável, porque está aqui. Quando não, sinto mesmo que não tem fim. E quando a intensidade se encontra com o infinito, a morte só pode ser sinônimo de alívio.

É como um sonho, porque ilusão ou não, acreditamos de que após a morte não haverá mais dor. E poderemos por fim descansar, enfim, sem ela, em paz.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

ritmo suicída

esses dias quis me inspirar em um amigo que me alertou que tem um "ritmo suicída" - o assunto foi parar no psicólogo e foi muito importante, pois vivo querendo me impor um ritmo mais puxado.

no entanto, depois de provocada na análise, refleti que não, que deveria fazer o inverso e procurar garantir mais espaços/momentos de vida fora do trabalho.

só não imaginava que seria tão difícil - e não no sentido de poder sair, mas pelo transtorno interno que me causa de saber que não está tudo como eu gostaria porque decidi me priorizar uma vez na vida.

hoje ao chegar em casa esgotada, me perguntei o seguinte: que sentido faz manter um ritmo suicída, se aniquilar aos poucos e ainda por cima abrir mão do prazer de realizar o desejo de terminar com a própria vida - e toda a dor - de uma ve por todas!?

hoje esse desejo veio com uma força que há tempo não vinha, mas meu senso de responsabilidade sequer me permite tomar duas gotas de rivotril pra não correr o risco de perder a hora, quem dirá, neste momento, tomar uma atitude mais drástica e definitiva assim!

enfim, sei que pode parecer necessário retomar o antidepressivo, mas sinto que tenho que segurar esse maremoto dentro de mim, pois por mais difícil que seja, é preciso mexer pra poder mudar, apesar desse chacoalhar, tudo isso vai me conduzir e ajudar a crescer e transformar.

mas hoje chove lá fora e amanhã... minhas flores estarão lindas e já será um outro dia!
boa noite, dorme bem...


domingo, 1 de setembro de 2013

Cuidado: raso Profundo

Sabe esses dias que tem tudo para dar certo e de repente dá tudo errado?

Ou nem tudo, mas algo que você quer muito e que, em uma fração de segundo, o cerebro inverte a lógica e te faz acreditar que encontrou a solução (no caso: desistir). E a solução... se transforma no pior dos monstros.

É que não sei desistir. Mas às vezes penso que seria saudável aprender... a questão é: como se aprende uma coisa dessas? Não sei. Não sei mesmo.

E ontem voltei para casa com o peso de todas as coisas que não deram certo nesta vida. Chorei, chorei, chorei... acho que fazia tempo que não chorava tanto.

Agora percebo que o choque de ontem foi muito mais pelo: "estamos entrando no mês nove e meu ano ainda não começou(!!)". O que me remete a crise dos dois meses de tratamento que veio junto com a primeira crise de enxaqueca: não me conformava por não ter me recuperado em DOIS meses!

Nunca imaginei que ficaria tanto tempo afastada do trabalho. E se soubesse, teria sido mais difícil ainda. A vida é incerta, né?

Ontem, no final das contas, cheguei a conclusão de que podia ser só uma TMP profunda; hoje concluí que desesperei e comecei a me afogar no raso de novo.

Já contei como é, né? A vista turva e... é como se viesse água por todos os lados. Manter a calma e não quebrar nada, sem dúvida, é a parte mais difícil.

Quantas vezes já me imaginei quebrando a casa inteira? Não sei, mas foram muitas! - AMO minha casa, e ainda assim, teve um tempo em que até fogo quis atiar. Mas passou. Passa.

Nadar contra a corrente não só não é fácil, como pode ser ou parecer o mesmo que estar parado; e tem horas que dá muita vontade de largar tudo e se deixar levar, seja para onde for!

domingo, 7 de julho de 2013

Elena

Hoje fui ao cinema e assisti Elena. Foi algo que ainda é, e fica ecoando aqui dentro.

Difícil mesmo dizer mais no momento. Deixa muitas reflexões e uma confusão de sentimentos.


O filme, não lembrava, já me haviam comentado, é um documentário. Não é "baseado em fatos reais", mas real em si. Montado com gravações antigas e declarações mais recentes, mas repleto de uma beleza e riqueza de cores, imagens, sensações. Surpreende pela exposição, encanta pela beleza, e traz o tema à luz. Não há muito mais que dizer, pois fica o sentir, e um ecoar num lugar que não sei bem onde, lá no fundo. É como se as ondas do inconsciênte, como na beira da praia, invadissem o consciênte com suas águas salgadas, e puxassem para sí tudo o que fica por ali, naquela areia, aparentemente, tão igual.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Perícia perversa

Caí justamente com o períto que estava rezando para não pegar. Acho que foi com o primeiro que passei a mais de um ano, e que ficou querendo dar liçãozinha de moral.

Hoje cheguei a conclusão que o índividuo em questão só pode ser sádico. Fiquei uma meia hora contando o que já contei mil vezes, sendo que como cada vez estou há mais tempo  de licença, acabo resumindo muito tudo.

Por outro lado, ele não queria ouvir, pois quando tentava contar as coisas ou me interrompia ou fazia cara de "ok, já sei, resuma". Que raiva, acho que a tática dele era essa, me provocar para ver se eu reagia, e não tive como não reagir quando disse que eu não podia ficar dependente do psicólogo, que já tinha que tomar minhas decisões e andar com minhas próprias pernas.

Ele conseguiu. Como era absurdo! Devia ter aproveitado e dado uma de louca, falado um monte. Interessante é que, para esses seres, ficar dependento do remédio não tem problema, mas da terapia... deu a entender que 3 anos era muito. Como pode alguém tão despreparado e tão insensível trabalhar de perito? É tudo tão... humilhante e desrespeitosio! E ele ainda fez questão de ficar cutucando a ferida!

Que raiva! No final das contas, me concedeu a licença, mas só até hoje, ou seja, por ele volto a trabalhar amanhã mesmo. E esses pequenos poderesm, nos vão matando aos poucos. Que tristeza maior?

Mas deixa estar, deixa estar.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Dedicatória

Este blog não é para gente normal. É específica e especialmente para pessoas que pensam demais, que sentem demais, que às vezes choram demais e, outras, não conseguem chorar, que às vezes dormem demais, mas muitas vezes não conseguem dormir, que sofrem sem saber o porquê, ou sabendo, não se conformam. É para a gente que sabe que não quer continuar como está, que quer viver de verdade, ou então morrer de uma vez! Mas que... na dúvida, entre a incerteza e a esperança, espera mais um pouco, porque já não tem certeza se o que sente, pensa e quer, é o que de veras sente, pensa e quer. Porque acredita que amanhã será diferente, ainda que ontem seja tão igual a hoje quanto a anteontem. Pessoas que não entendem porque tem que continuar, mas sabem, sem saber como, que há um porquê; ainda que não se reconheçam hoje, sabem que há mais para se viver, e que pode ser difícil, mas também pode vir a ser muito bom. É para essas pessoas instáveis que caem em contradição por transparecerem sua convicção a ambos os lados, por serem capazes de entender ambos os lados, ainda que, ou por isso mesmo, prefiram permanecer em cima do muro, onde não se pode fazer muito, mas se pode ver tudo, ou quase tudo. Para essas pessoas supostamente loucas, porque recusaram se submeter a uma vida sem sentido. É para elas, e para os que não sabem não amá-las, independente de como sejam ou estejam, independente de que lado extremado estejam, independente do que pensam e do que fazem - ou deixam de fazer - mesmo saibendo que precisam, ainda que amanhã com certeza, mesmo que talvez. É para essa gente, que é humana acima de tudo!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

estrelas da megalópole



Moro em uma megalópole e, entre as estrelas que aqui vivem, ocorre algo previsível e preocupante.

Moro onde, há muito, megalomaníacos faziam de tudo para ter mais dinheiro e poder, transformando suas competições e loucos delírios na mais insana e caótica realidade.

Moro em uma metropole, onde grandes estrelas parecem minúsculas e onde estrelas de todos os tamanhos estão se apagando e deixando de brilhar.

Meu país tem 13 milhões de estrelas tristes, e destas, um terço vive na megacidade onde moro.

Mais de quatro milhões de estrelas perdem suas luas aqui, porque a energia que tinham caiu tanto que se sentem monofásicas, e assim, não podem mais ver a luz refletida em suas ações.

Mais de quatro milhões tentam seguir “adiante”, sem saber onde essa via vai dar, sem saber como dela sair, e, menos ainda, como é que aqui se permanecerá.

Muitas das minhas visinhas tomam as “pílulas mágicas” e seguem fazendo tudo igual, evitando pensar quê sentido faz, se é que faz.

Muitas outras, no entanto, com ou sem as pílulas, preferem parar para tentar entender e procurar uma saída ou outra via.

Mas, se por um lado, sair do turbilhão é bom, por outro, se sempre vivemos nele, viver fora dele... é possível? Como faz?

Daqui, não me parece haver espaço para tantas estrelas juntas, por isso prefiro não arriscar - pois sei que fuigiria, me afinando até virar só um fio de luz, mesmo sabendo do desgaste que geraria ao corpo.

Mas daqui, também achava que a saída era real e estava próxima. Agora, já não sei mais o quanto da possibilidade de voltar a brilhar é ilusão, desejo ou miragem.

Mas sei que o poço, na verdade, não tem fundo. Ele vai e continua sendo infinitamente, até dar no imenso espaço, onde nos encontramos com tudo o que criamos.

Milhares de peças que podemos ficar analisando infinitamente, sem saber se são reais ou imaginárias, sempre tentando agarrá-las para construirmos a escada de volta - bem bonita!

É por isso que uma estrela inativa pode virar um buraco negro: porque nosso inconsciente é como o espaço sideral. É bom olhar, conhecer, tentar entender, mas sem nunca se soltar do real.

Na megalópole, há de tudo: os que querem nos vender a luz, os que ganham sem saber que existimos, os que pensam que se deixarmos de existir poderão brilhar mais, os que têm certeza que é expertise pura, e, claro, os que não se atrevem a dialogar para não contrariar - já que é certo que enlouquecemos (porque preferimos dar passagem a quem não sabe frear).

Mas minha megalópole também tem tudo quanto é tipo de artista! E eles sabem conversar, transformar, dividir, fazer caber, recriar, provocar, mudar... e sabem que o que faz brilhar não é o figurino, nem a lantejoula, mas sim a essência do ser humano, estrela por natureza.