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quarta-feira, 12 de junho de 2013

É de graça!

Se nem eu me entendo, se nem eu me aguento, como posso querer que os outros me aguentem? Chega fico com dó da minha mãe que arranjou uma boa desculpa para passar uns dias comigo. Não sei, não sei o que acontece comigo. O mau humor aqui é de graça mesmo.

Por um lado, decidir voltar a trabalhar é tudo que eu precisava, por outro lado, de repente me vejo tendo que resolver tudo que deixei para depois por um ano e meio, em uma semana e meia. Estou me esforçando, mas tem umas coisas que não tem explicação!

Por exemplo? Resolvi aproveitar o mau humor para cancelar a assinatura de três revistas que eu sequer abro, mas depois de um ano protelando, literalmente pagando para não ter que brigar, fui capaz de ligar para a editora Abril para cancelar as revistas da editora Globo (!!!)!

Pelo menos consegui organizar os relatórios e receitas médicas dos últimos meses. Mas mudei o horário da aula de dança, por conta da terapia, e depois o horário da terapia por conta da perícia que... na verdade, era de manhã e não de tarde! E a esperança de ter sobrevivido à última perícia foi adiada para sexta.

Ao menos, me dei conta do equivoco antes de sair, mas fui remarcar hoje porque supostamente tinha ficado de ver uma AP com uma amiga. Efetivamente? Ela disse ter marcado para amanhã, mas também não tinha certeza.

Aproveitei a viagem para tentar falar com duas pessoas que gosto demais, mas uma, depois de uma hora de espera, decidi ver outro dia, a outra, ao menos respondeu a mensagem dizendo que hoje não podia. 

Por sorte consegui falar com quem não pretendia, mas não foi suficiente para vencer o mau humor somado ao mal estar gerado por um ônibus lotado em dia de chuva na cidade de São Paulo.

São “N” boas possibilidades: de futuras casas, futuros trabalhos, futuros namoros, talvez, mas nada, nadinha, se concretiza. É muita frustração para pouco tamanho, sabe? O que querem me dizer? Sou eu que faço tudo errado sempre? Tento lidar bem com as incertezas, mas às vezes são tantas!

Sinto que tento me manter surfando entre essas ondas, mas são tantas! Queria tanto poder descansar... Dizem que depois da tempestade vem a calmaria, mas, algo me diz que a tempestade mal começou.

Aliás, a chuva voltou, e não sei porque, mas me alivia... ´: j

segunda-feira, 29 de abril de 2013

estrelas da megalópole



Moro em uma megalópole e, entre as estrelas que aqui vivem, ocorre algo previsível e preocupante.

Moro onde, há muito, megalomaníacos faziam de tudo para ter mais dinheiro e poder, transformando suas competições e loucos delírios na mais insana e caótica realidade.

Moro em uma metropole, onde grandes estrelas parecem minúsculas e onde estrelas de todos os tamanhos estão se apagando e deixando de brilhar.

Meu país tem 13 milhões de estrelas tristes, e destas, um terço vive na megacidade onde moro.

Mais de quatro milhões de estrelas perdem suas luas aqui, porque a energia que tinham caiu tanto que se sentem monofásicas, e assim, não podem mais ver a luz refletida em suas ações.

Mais de quatro milhões tentam seguir “adiante”, sem saber onde essa via vai dar, sem saber como dela sair, e, menos ainda, como é que aqui se permanecerá.

Muitas das minhas visinhas tomam as “pílulas mágicas” e seguem fazendo tudo igual, evitando pensar quê sentido faz, se é que faz.

Muitas outras, no entanto, com ou sem as pílulas, preferem parar para tentar entender e procurar uma saída ou outra via.

Mas, se por um lado, sair do turbilhão é bom, por outro, se sempre vivemos nele, viver fora dele... é possível? Como faz?

Daqui, não me parece haver espaço para tantas estrelas juntas, por isso prefiro não arriscar - pois sei que fuigiria, me afinando até virar só um fio de luz, mesmo sabendo do desgaste que geraria ao corpo.

Mas daqui, também achava que a saída era real e estava próxima. Agora, já não sei mais o quanto da possibilidade de voltar a brilhar é ilusão, desejo ou miragem.

Mas sei que o poço, na verdade, não tem fundo. Ele vai e continua sendo infinitamente, até dar no imenso espaço, onde nos encontramos com tudo o que criamos.

Milhares de peças que podemos ficar analisando infinitamente, sem saber se são reais ou imaginárias, sempre tentando agarrá-las para construirmos a escada de volta - bem bonita!

É por isso que uma estrela inativa pode virar um buraco negro: porque nosso inconsciente é como o espaço sideral. É bom olhar, conhecer, tentar entender, mas sem nunca se soltar do real.

Na megalópole, há de tudo: os que querem nos vender a luz, os que ganham sem saber que existimos, os que pensam que se deixarmos de existir poderão brilhar mais, os que têm certeza que é expertise pura, e, claro, os que não se atrevem a dialogar para não contrariar - já que é certo que enlouquecemos (porque preferimos dar passagem a quem não sabe frear).

Mas minha megalópole também tem tudo quanto é tipo de artista! E eles sabem conversar, transformar, dividir, fazer caber, recriar, provocar, mudar... e sabem que o que faz brilhar não é o figurino, nem a lantejoula, mas sim a essência do ser humano, estrela por natureza.

domingo, 28 de abril de 2013


"Meu barraco é no pico mais alto do morro, e daqui dá pra ver um acontecimento raro na história do universo.
É o fenômeno natural da cidade de São Paulo, onde as estrelas deixam de brilhar no céu e passam a cintilar do chão.
Inda assim continuo achando que cada estrela é uma pessoa que amo olhando por mim".


Paula da Paz








foto: João Claudio de Sena