Este blog não é para gente normal. É para pessoas que pensam demais, que sentem demais, que às vezes choram demais e, outras, não conseguem chorar, que às vezes dormem demais, mas muitas vezes não conseguem dormir. É para elas, e para os que não sabem não amá-las, independente de como sejam ou estejam!
Hoje fui ao cinema e assisti Elena. Foi algo que ainda é, e fica ecoando aqui dentro.
Difícil mesmo dizer mais no momento. Deixa muitas reflexões e uma confusão de sentimentos.
O filme, não lembrava, já me haviam comentado, é um documentário. Não é "baseado em fatos reais", mas real em si. Montado com gravações antigas e declarações mais recentes, mas repleto de uma beleza e riqueza de cores, imagens, sensações. Surpreende pela exposição, encanta pela beleza, e traz o tema à luz. Não há muito mais que dizer, pois fica o sentir, e um ecoar num lugar que não sei bem onde, lá no fundo. É como se as ondas do inconsciênte, como na beira da praia, invadissem o consciênte com suas águas salgadas, e puxassem para sí tudo o que fica por ali, naquela areia, aparentemente, tão igual.
Há dois dias tive consulta com o psiquiatra. Mantivemos a dosagem e ele pediu que voltasse dentro de dois meses!! Fiquei feliz. Claro que não por não ter que vê-lo, se pudesse pagar, ia querer ir toda semana! Mas sim, pelo que representa: pela primeira vez em um ano e meio, podemos considerar que estou... "estável", digamos assim.
Orgulhosa, em certo sentido, de não ter desistido.
E de repente, eu me sentia encantada por todos os detalhes mágicos da vida, e por todas as pessoas incríveis que de alguma forma me acompanham. Senti até conforto e confiança!
Conversando com minha mãe, resolvi procurar algo e... quem procura acha, ainda que não exatamente o que se procura.
Encontrei um texto que me descrevia tão absurdamente bem! Não sabia o fazer com aquilo.
Transtorno de Personalidade Obsessiva (anancástica)
Como se caracteriza?
Tendência ao perfeccionismo, comportamento rigoroso e disciplinado consigo e exigente com os outros. Emocionalmente frio. É uma pessoa formal, intelectualizada, detalhista. Essas pessoas tendem a ser devotadas ao trabalho em detrimento da família e amigos, com quem costuma ser reservado, dominador e inflexível. Dificilmente está satisfeito com seu próprio desempenho, achando que deve melhorar sempre mais. Seu perfeccionismo o faz uma pessoa indecisa e cheia de dúvidas.
Aspectos essenciais
O perfeccionismo pode atrapalhar no cumprimento das tarefas, porque muitas vezes o sujeito se detém nos detalhes enquanto atrasa o essencial.
Insistência em que as pessoas façam as coisas a seu modo ou querer fazer tudo por achar que os outros farão errado.
Excessiva devoção ao trabalho em detrimento das atividades de lazer.
Expressividade afetiva fria.
Comportamento rígido (não se acomoda ao comportamento dos outros) e insistência irracional (teimosia).
Excessivo apego a normas sociais em ocasiões de formalidade.
Relutância em desfazer-se de objetos por achar que serão úteis algum dia (mesmo sem valor sentimental)
Indecisão prejudicando seu próprio trabalho ou estudo.
Excessivamente consciencioso e escrupuloso em relação às normas sociais.
Achava graça de ter comentado coisas que só reforçavam a descrição (que foi escrita em 2008!), mesclada a certa vergonha, me perguntava se todas as pessoas tem algum transtorno, me perguntava se devia recusar ou aceitar... Recusar seria ridiculo, aceitar, seria reforçar. Aprender a "lidar com", seria o ideal, claro. Mas aprenderia? Não sou tão rigorosa e disciplinada assim!
Tudo bem. Tudo é superável.
Mas hoje... me superei no pior dos meus lados. Fui a pior das amigas. Fui fria como sei que não sou. Perguntei e não soube ouvir, atropelei quem está sempre pronto para me dar a mão. E o pior de tudo: não foi a primeira vez. Às vezes acho que deviam me manter isolada da sociedade. Quero que respeitem a minha dor, e não sei respeitar a dor do outro. Sentindo vergonha de mim, como poucas vezes na vida. Não sei o que fazer. Queria nunca mais machucar alguém. Como posso não ter aprendido isso ainda? Triste demais. Sem mais.
Hoje finalmente passei pela última perícia. Devia estar feliz, queria tanto me livrar desse martírio e voltar a trabalhar, mas... de repente, bate uma insegurança. E agora? Tantas coisas para arrumar ainda! De repente bate um medo, um receio. E entre tantas coisas para fazer, entre tantos motivos para ficar feliz, tudo o que quero, é poder seguir dormindo. Fazer o que? Vou dormir de novo na esperança de acordar mais animada amanhã!
Se nem eu me entendo, se nem eu me aguento,
como posso querer que os outros me aguentem? Chega fico com dó da minha mãe que
arranjou uma boa desculpa para passar uns dias comigo. Não sei, não sei o que
acontece comigo. O mau humor aqui é de graça mesmo.
Por um lado, decidir voltar a trabalhar é
tudo que eu precisava, por outro lado, de repente me vejo tendo que resolver
tudo que deixei para depois por um ano e meio, em uma semana e meia. Estou me
esforçando, mas tem umas coisas que não tem explicação!
Por exemplo? Resolvi aproveitar o mau humor
para cancelar a assinatura de três revistas que eu sequer abro, mas depois de
um ano protelando, literalmente pagando para não ter que brigar, fui capaz de ligar
para a editora Abril para cancelar as revistas da editora Globo (!!!)!
Pelo menos consegui organizar os relatórios
e receitas médicas dos últimos meses. Mas mudei o horário da aula de dança, por
conta da terapia, e depois o horário da terapia por conta da perícia que... na
verdade, era de manhã e não de tarde! E a esperança de ter sobrevivido à última
perícia foi adiada para sexta.
Ao menos, me dei conta do equivoco antes de
sair, mas fui remarcar hoje porque supostamente tinha ficado de ver uma AP com
uma amiga. Efetivamente? Ela disse ter marcado para amanhã, mas também não
tinha certeza.
Aproveitei a viagem para tentar falar com
duas pessoas que gosto demais, mas uma, depois de uma hora de espera, decidi
ver outro dia, a outra, ao menos respondeu a mensagem dizendo que hoje não
podia. Por sorte consegui falar com quem não pretendia, mas não foi suficiente
para vencer o mau humor somado ao mal estar gerado por um ônibus lotado em dia de chuva na cidade
de São Paulo.
São “N” boas possibilidades: de futuras
casas, futuros trabalhos, futuros namoros, talvez, mas nada, nadinha, se
concretiza. É muita frustração para pouco tamanho, sabe? O que querem me dizer?
Sou eu que faço tudo errado sempre? Tento lidar bem com as incertezas, mas às
vezes são tantas!
Sinto que tento me manter surfando entre essas ondas, mas são
tantas! Queria tanto poder descansar... Dizem que depois da tempestade vem a
calmaria, mas, algo me diz que a tempestade mal começou.
Aliás, a chuva voltou, e não sei porque, mas me alivia... ´: j
Passei o dia chorando, me perguntando, afinal de contas "o que é que Deus quer de mim?". Procuro o lado bom de tudo que me acontece (e principalmente no que não acontece).
Mas um ano e meio depois, com a vida toda em stand by, quando finalmente acho que encontrei o remédio certo e vou poder retomar a vida, as coisas simplesmente não dão certo. Não entendo o porquê, e não convivo bem com o fato de não entender. E não posso, não consigo me conformar.
Resolvi assistir TV para distrair, no lugar de apelar para o rivotril e me apagar... é fato que não sei lidar com o não. Apago a TV consciente de que perdi algumas horas da minha vida já tão desperdiçada, mas agora, carrego também a dor de cabeça. Que já não sei se é da luz das telas, ou se é da culpa.
Culpa de me dar conta de que estou chorando por algo que, por mais frustrante que seja, é 'resolvível'. Há dois anos chorava por algo que não sabia se algum dia poderia se recuperar. Agora já sei. O que mais temi na vida, foi embora. E o resto, é só o resto, não devia ter tanta importancia.
Mas ainda fico triste, e às vezes, muito triste. Ainda mais quando penso que não sou só eu. A gente diz que "Deus sabe o que faz, a gente não", mas hoje, penso que, se a gente não sabe, quem dirá Deus!
Hoje foi um dia raro: desses em que as coisas boas
coincidem no dia da agenda, mas, incrivelmente, não no mesmo
horário!
De manhã fui ao meu psiquiatra, como gosto
dele! É dessas pessoas que não tem como não gostar!
Adorei a indignação dele quando contei da opinião
do perito sobre o psicólogo (que eu não podia ficar dependente dele, tinha que
saber tomar minhas próprias decisões e andar com minhas próprias pernas(!)).
Poucas coisas são tão deprimentes quanto essas perícias... mas a terça de hoje
compensou a segunda passada.
Às vezes acho que falo demais, mas é que a
gente só se vê uma vez por mês... e tudo está relacionado ao que tratamos. Acho
que o bom psiquiatra é o que consegue se aproximar exatamente do seu oposto: o
homeopata (no sentido de que analisa o todo em seu conjunto e não as partes
isoladamente).
No meu caso, estou com anemia e hipotireoidismo,
ambos leves, mas ambos reforçam os sintomas da depressão, que são justamente a
maior barreira para sair dela! Mas não é só o físico que conta, tem também a questão emocional, relacional, etc e tal. Que não estão lá muito boas, mas hão de
melhorar.
Mas ao menos, depois de me dar conta de que fazia mais de
12 meses que meu psiquiatra perguntava se eu tinha voltado a dançar, e eu
respondia: “esse mês vou voltar”... tomei vergonha na cara e fiz uma das
melhores coisas dos últimos tempos: contratei um professor particular - e é um
investimento sem igual! Começo da tarde era o horário dele e... como me sinto bem dançando! E melhor ainda, junto aprendendo,
melhorando, aperfeiçoando... é muito, muito bom!
Final da tarde, era hora do meu psicólogo.
Achei que seria um desperdício ir para lá estando tão bem. Mas que nada, tinha
muita coisa incomodando dentro do peito, chorei um monte, mas saí me sentindo
muitíssimo melhor - e muito mais leve!
Para completar o dia, só faltou ir ao
centro cardessista. Era dia, mas com a chuva, acabei não resistindo. Vim para
casa, resolvi pacificamente o que precisava resolver, e fiquei me sentindo,
estranhamente, tão bem!
Essa sensação acho que vem muito do se sentir bem cuidada e
bem amada. Gratidão a cada ser que colabora para que seja ela
exatamente como é!
“Ouça um bom conselho, inútil dormir que a dor não passa.” Chico Buarque
Acho que faltou dizer de onde vem esse
cansaço que não nos deixa. Que dá sono, dá indisposição, dá preguiça, e resulta
em tanta procrastinação. Dá tantos “não quero”, “não tenho vontade”, “não me
sinto bem”, “prefiro ficar em casa”. Não é nada pessoal, só é muita
gente, é muito barulho... está tudo bem, só quero ficar quieta no meu canto.
Não posso argumentar que estou cansada se
não trabalho, mas estou. E é um cansaço da vida inteira! Sabe quando você come
demais algo que depois não consegue nem olhar, nem pensar em comer mais? É mais
ou menos assim.
Não sei como foi que isso se deu, mas fato
é que por algum motivo, as dores de todos os tempos resolveram fazer um
congresso e se encontrar. A maioria delas foi profunda, mas passageira.
Aparentemente superada. Mas, às vezes me pego pensando em coisas que me doeram
tanto, tanto! Engoli a dor, mas parece que não desceu. Enroscou numa das curvas que abastece o
coração, pois ali já havia algumas, e não demorou muito para chegarem tantas outras,
tão gigantes, que empurraram todas as outras direto para o coração. Algumas se
dispersaram, outras se mantiveram unidas e aos poucos foram diminuindo, mas não
posso distrair que logo aparece alguma que estava perdida reivindicando
atenção. Queria tanto que algumas delas nunca tivessem existido.
Estou tentando colocar ordem nessa casa,
mas não está fácil. Não encontro ao quê me apegar, se tudo que parecia
verdadeiro, foi diluído em meio ao falso. E tem que tomar, assim mesmo, tudo
junto, que é para criar imunidade.
Mas, não quero, ainda dói , mas não quero
tomar esse veneno! Já dói menos, apesar de que, se respiro um pouco mais fundo sinto
que ela ali segue.
Ninguém, ninguém pode saber o tamanho da minha
dor. Porque ninguém viveu as frustrações, a desilusão, a desconfiança, a
desesperança... que eu vivi. Cada um tem a sua. Tentei minimizar a minha, mas
de repente ela cresceu, e tomou conta de tudo!
Estou tão cansada. Não quero. Não quero ver
mais nada, não quero ter que conversar, não quero ter que explicar. Só quero
ficar quieta no meu canto, poder juntar os pedaços do que restou, e ver o que é
possível fazer com eles.
Só me deixe só. Não vou quebrar tudo. Ao
menos ainda não, porque não sei ainda o que é que quero tanto quebrar. O que quero quebrar, é real, mas não é físico. É forte, às vezes me derruba,
mas é intangível.
Sei que é inútil dormir, que a dor não
passa, mas ao menos descanso um pouco dela, ainda que muitas vezes me acompanhe
nos sonhos... Até nos sonhos! Mas logo deixará de ser esse troço
atravessado no peito. Ainda não sei como, mas vou achar um jeito!
Dou risada da crueldade do Chico cada vez que
ouço a música. Sei que é inútil, mas não planejo dormir muito, simplesmente
durmo.