domingo, 1 de setembro de 2013

Cuidado: raso Profundo

Sabe esses dias que tem tudo para dar certo e de repente dá tudo errado?

Ou nem tudo, mas algo que você quer muito e que, em uma fração de segundo, o cerebro inverte a lógica e te faz acreditar que encontrou a solução (no caso: desistir). E a solução... se transforma no pior dos monstros.

É que não sei desistir. Mas às vezes penso que seria saudável aprender... a questão é: como se aprende uma coisa dessas? Não sei. Não sei mesmo.

E ontem voltei para casa com o peso de todas as coisas que não deram certo nesta vida. Chorei, chorei, chorei... acho que fazia tempo que não chorava tanto.

Agora percebo que o choque de ontem foi muito mais pelo: "estamos entrando no mês nove e meu ano ainda não começou(!!)". O que me remete a crise dos dois meses de tratamento que veio junto com a primeira crise de enxaqueca: não me conformava por não ter me recuperado em DOIS meses!

Nunca imaginei que ficaria tanto tempo afastada do trabalho. E se soubesse, teria sido mais difícil ainda. A vida é incerta, né?

Ontem, no final das contas, cheguei a conclusão de que podia ser só uma TMP profunda; hoje concluí que desesperei e comecei a me afogar no raso de novo.

Já contei como é, né? A vista turva e... é como se viesse água por todos os lados. Manter a calma e não quebrar nada, sem dúvida, é a parte mais difícil.

Quantas vezes já me imaginei quebrando a casa inteira? Não sei, mas foram muitas! - AMO minha casa, e ainda assim, teve um tempo em que até fogo quis atiar. Mas passou. Passa.

Nadar contra a corrente não só não é fácil, como pode ser ou parecer o mesmo que estar parado; e tem horas que dá muita vontade de largar tudo e se deixar levar, seja para onde for!

domingo, 18 de agosto de 2013

e agora?

Por mais que me sinta protegida e apoiada (não sei exatamente por quem), por mais que o mundo diga "Vá"... às vezes tenho medo de estar sendo cabeça dura, tenho receio de que o que em um momento me parece absolutamente viável, seja só mais uma ilusão. E se eu optar por um caminho que não existe? Quanto de fé será preciso para andar sem cair?

Tenho convicção de que o que quero não é muito, mas de tanto as pessoas dizerem que é, a suspeita de que pode ser delírio meu vem me assombrar: e se os outros estiverem certos?

Resisto a qualquer caminho que não seja o que quero, deixo a porta aberta, caso tenha que correr, mas, não quero entrar sem antes bater na que quero abrir. A falta de apoio físico, material, neste mundo, e com as coisas mais simples, destrói minha autoconfiança. Queria poder pagar para não depender da boa vontade alheia. Mas no momento não posso e... não sei o que fazer.

Não sei explicar por que é tão difícil pedir um favor, mas às vezes é - e muito!

E passo da felicidade e confiança plenas à mais pura tristeza, em meia dúzia de momentos...
o coração aperta, aperta, aperta.. mas passará.

***

"daqui desse momento, do meu olhar pra fora, o mundo é só miragem
quem vai virar o jogo, e transformar a perda, em nossa recompensa?

às vezes é um instante, a tarde faz silêncio, o vento sopra a meu favor

me traz o seu sossego, acalma minha pressa...

a lógica do vento, o caos do pensamento, a paz na solidão
a órbita do tempo, a pausa do retrato, a voz da intuição

o salto do desejo, o agora e o infinito"

domingo, 11 de agosto de 2013

Trégua a léguas - ou batalha astral final

Não queria sair de casa (meu campo extendido), mas fui, há algumas léguas, compartilhar com quem sempre posso contar.

Esqueci de levar minhas "pílulas mágicas", não dormi e meu estômago permaneceu, a maior parte do tempo, péssimo. Mas tirando esses detalhes, foi bom estar com a família, que sinto que me escolheu, mesmo com eu sendo como sou - um pouco diferente talvez.

Estive bem, mas há quantas léguas da minha "região livre"? Não sei.

Não sei se é paranóia, macumba ou só o fato de ter passado mais de 48horas sem a substância que me dá forças para encontrar ânimo para esta vida - ou que me dá ânimo para juntar as forças espalhadas ou perdidas pelos cantos. Mas sei que me senti em um campo de batalha.

Sentia que não resistiria, sentia que não aguentaria, que me esvainecia e me largaria. Busquei força por todos os lados, fiquei por um fio, quase que pó. Ainda não sei bem como resisti. Cheguei tão cansada. Esgotada.

Sinto falta do meu psicólogo que não vejo há mais de um mês, senti tanta falta do meu psiquiátra, que idem. Queria ter eles mais perto, assim como a calma e segurança que me passam. Quis estar com minha sobrinha, minha cunhada, meu irmão, meu ex-chefe, minha mãe, meus professores de dança... mentalizei a energia tão boa de todos eles e consegui recuperar o fôlego.

Cheguei em casa e meu gato estava desesperado por mim - como talvez eu estivesse pela casa, pelo meu canto, mesmo sem saber ou entender. Tirei a camisa branca que ganhei e usava pra poder dar colo ao meu preto, mas antes precisei me abrigar e tomar o remédio.

Dei carinho e ele acalmou. Fiquei na frente do computador uns minutos e senti que ele havia se aconchegado no sofá. Não precisava olhar para saber, tinha certeza que estava deitado em cima da camisa branca que ainda tinha minha energia, onde claro, segue dormindo aninhado.

Será que também acalmo? Acho que sim... Vou tentar domir, que se a dor não passa, ao menos não fica de pirraça. Quem sabe até se esquece, entretem... ou se perde dentre as outras perdas?

Que os meus amigos-anjos nesta terra estejam bem e recebam todas as retribuições que os demais possam lhes fazer chegar. Gratidão. Vou me recuperar e retomar a vida logo para assim poder estar mais com eles, e com todas as pessoas que me fazem esse bem inexplicável e indispensável.

É isso. Estou e vou.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Trégua relativa

Sabe quando nada muda, mas a sua sensação sobre as coisas muda?

Acho que, de repente, me dei conta de que estava me afogando no raso, e concluí que a pior das hipóteses ainda é boa. Mas concluí por mim, por me deixar sentir isso e não pela minha mente me acusando de ser ingrata e mimada.

Claro que, tem dias, ou melhor, momentos, em que me sinto mais confiante e em outros quero mesmo é largar tudo e sumir daqui, mas esse sumir deixou de ser querer morrer, e passou a ser querer viver onde há mais vida, em algum lugar bom deste mundo, onde a simples existência naquele lugar seja suficiente para querer viver. Confesso, penso no sul da Bahia...

Por outro lado, tem tanta coisa do passado que não deixo passar, que ainda me arrependo - e o pior é que são coisas bobas, mínimas, mas que não consigo me perdoar. Sempre sou mais complacente com os outros do que comigo mesma. Consigo me colocar no lugar deles, mas não consigo me colocar no meu (?), dá para entender?

Sinto falta do meu psicólogo... parei de ir porque me deixei chegar em uma situação financeira catastrófica. Não vejo a hora de voltar! Talvez agora aproveite para mudar de postura, de encarar como um tratamento, escolhendo o que tratar.

É que, indo só uma vez por semana, o assunto acaba sendo o momento, e raramente vamos às questões do passado. Lembro de algumas vezes em que estava bem ter acontecido, a ponto de ficar receosa quando estava bem.

Não entendo como as pessoas "normais" vivem sem um psicólogo bom - como o meu que não tenho dúvidas de que é o melhor!

Bom, no final das contas, sinto que houve uma trégua, e o mais difícil tem sido conviver com o vai e vem da minha auto-confiança. A maré não está de derrubar e virar o barco, mas ainda balança muito! De um jeito ou de outro, nos momentos de confiança dei alguns passinhos, e de passinho em passinho, posso chegar no palco... (medo) mas daí, não haverá outra saída: terei que atuar ou dançar!

Ainda fico desconfiada da falta de retorno dos amigos... me pergunto se acham que sou louca - um deles, diante meu conflito, disse que ninguém acha isso, pois todos tem certeza (!). Às vezes é de rir, às vezes de chorar, mas choro mais não. Sabe quando o vendaval bagunça mais ainda o que já estava bagunçado? Aprendi a dar risada! E vou me achando pelas veredas e caminhos...

terça-feira, 16 de julho de 2013

Maré brava

Dias dificeis... me sinto em um embate constante.
O que em um momento é claro, após o décimo balde de água fria, volta a ser turvo.

Não sei se sei explicar,
se estou no meio da tempestade e todos os lados parecem iguais.

"Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos."

Isso me é tão... familiar.
"Daniel na Cova dos Leões"... onde mais?


...

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Qual é a maior "loucura"?

Esta semana escrevi com todas as letras que não tenho mais a menor intenção de me suicidar. Tendo a acreditar que o pior já passou e o melhor está por vir. Mas, como nada nesta vida parece que pode ser fácil, voltei a desejar que algum bendito carro me atropelasse.

Alívio.

Que alívio seria. Não ter mais tantas idéias brilhantes que não tem para onde ir. Não ter mais espectativas sempre frustradas. Não ter mais que conviver com tanta coisa sem escrupulos que há por todos os lados. De não ter que conviver com a falta de ação de quem se acha tão certo.

Ouço pessoas dizerem "você é tão bonita e inteligente, como pode dizer ou pensar uma bobagem dessas?", que raiva me dá, como se isso mudasse algio. Não muda, tá? Na verdade só agrava, porque você ainda por cima se sente ainda mais culpado. É muito fácil dizer quando não é você que sente.

Não sei. Não sei como as pessoas podem viver com tantas coisas erradas neste mundo, com tantas coisas inaceitáveis e... e simplesmente não fazer nada. Ou fazer tão pouco e esse pouco ser suficiênte para viver bem. Não entendo. É isso que não entendo. Não quero ser conivente.

Tenho muito que fazer, sim. Há muita coisa que poderiamos mudar. Se os certos não fossem tão certos e os errados, tão errados, talvez fosse possivel fazer algo. Mas não é, não há meios. E onde há meios, não há gente, ou não há tempo, ou não há dinheiro.

Na verdade, estamos em um imenso labirinto, no qual temos com frequência a ilusão de que há alguma saída, mas não há.

Estamos perdidos na selva de pedras e não há mais nada que fazer, a não ser continuar andando, na esperança de se agarrar a uma nova ilusão que não nos deixe desistir. Is this. Only.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

entre metades

E de repente, a lucidez me faz ver. E enxergo que estou mais que complicada, tenho duas saídas: recuar ou avançar. Quero avançar, claro, mas para isso preciso de ajuda. E preciso acreditar. (...)

Devia estar animada, por ser capaz de encontrar saídas, mas hoje, um quarto de mim é tristeza, outro quarto é quase revolta, revolto. A outra metade... não sei se dorme ou se abstém. Só sei que parece mesmo não estar.

Meus quartos se neutralizam e fico no meio do meio do meio, sabendo que preciso ir, sendo nítido que para qualquer lado terei que nadar, mesmo sem saber como.